Ao amanhecer ela acordou e viu que ele não estava mais ao seu lado, mas havia deixado um bilhete no travesseiro: "Bom dia minha fada! Acordei mais cedo e fui buscar alguma coisa para o café da manhã. Não quis te acordar, venho já!" Ela levantou da cama e foi ao banheiro, quando saiu ele já estava de volta. Tomaram café e deitaram de novo. "Hoje é domingo, não precisamos de mais nada além da companhia um do outro", ele disse, entre um comentário e outro sobre o dia anterior e a noite que demorou pra passar. Ela não disse nada a respeito de sua demora para ir dormir e ele sabia que era melhor não perguntar. O silêncio às vezes falava por eles dois. Assistiram filmes até quase o final da tarde, parando apenas porque a fome falava mais alto. Comeram e voltaram a deitar. Era quase como um círculo vicioso e eles gostavam disso, afinal, todos os outros dias eram feitos de incertezas e medos. Ali, se sentiam seguros e confiantes. E conversavam o tempo inteiro, sobre coisas sérias e outras apenas para rir. Ela dizia que gostava da sua barba, seu cabelo e o tom de voz que usava quando estavam juntos ou ao telefone. Ele dizia que adorava o jeito com que ela olhava a lua, como se nunca tivesse a visto e como se amanhã ela já não aparecesse mais e disse que não a amaria tanto se ela não tivesse reações tão positivas com relação a coisas tão simples, que eram os detalhes que a tornavam especial. Ela se sentou na cama, olhou para ele e repetiu: "Não me amaria tanto? Quando foi que isso começou?". Sem saber o que dizer, ele apenas abaixou a cabeça e pediu desculpa, porque sabia que havia dito o que não devia e que ela não estaria preparada para ouvir. E não estava. Não foi raiva o que sentiu, só foi pega de surpresa. Mas ela tinha medo, porque qualquer coisa maior do que já havia de sentimento ali seria um problema. Ela teria de tomar uma decisão que o forçaria a tomar uma também, e seria difícil para os dois. Mandou-o para casa, já estava quase na hora que ele teria que ir embora, porque fora dali existia uma vida inteira já vivida e muito mais ainda para viver, só precisava escolher como faria isso. Ele foi embora, cabisbaixo, só disse que ligaria quando tomasse uma decisão. Ela fechou a porta e se jogou no sofá, as lágrimas escorriam. Ele havia deixado o medo que pertencia somente à vida do lado de fora entrar e fazer morada ali, onde tudo sempre foi tão seguro. Foi para o quarto, sentou ao lado da cama e esperou que o telefone tocasse. Uma longa e vã espera. Tomou um banho, comeu alguma coisa enquanto esperava, mas o telefone permanecia em silêncio. Lá fora já havia escurecido e ela não conseguia ver a lua. Alguém bateu na porta. Era ele. A abraçou de disse: "Mesmo que eu tente fugir às vezes, sempre acabo voltando à você". Entraram juntos, ela trancou a porta e foram dormir. Amanhã acertariam os últimos detalhes. Enfim, eles eram um do outro.
Essa é a continuação :p final feliz é o que se espera sempre quando duas pessoas se gostam tanto.
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