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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Sem início, meio e fim

Algumas histórias de amor terminam antes de terem a chance de começar.
É quando você vê uma garota linda, diferente de todas que já viu. Que tem um sorriso quase angelical, uma feição doce. Que faz seu coração disparar sempre que cruza seu caminho e faz você se pegar sorrindo à toa só por tê-la visto. Faz suas mãos suarem, te deixa sem reação. Que pelos poucos instantes que se faz presente se torna teu mundo e você se perde em pensamentos impuros, mas apaixonados. Que faz seus amigos torcerem pra dar certo, só pra que você pare de falar sobre ela. Uma garota que é especial mesmo sem nunca terem conversado. Alguém que você acha que vale a pena lutar, mudar e ir onde for preciso. Que te faz sonhar, imaginar como seria se pudessem estar juntas agora. Mas em algum momento, você percebe que deixou passar um detalhe que faz toda a diferença: vê que alguém já reparou nela e a ganhou antes de você.
E é assim que uma história de amor termina antes de ter chance de começar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Essa noite tinha um passarinho cantando na minha janela. Achei que eles não cantavam a noite, mas esse cantou.
Eu queria dormir, mas tinha um passarinho cantando na minha janela. Lá fora, tem uma árvore, e o passarinho não queria ir embora.
Como não conseguia dormir, fiquei de olhos abertos, no escuro mesmo, ouvindo o passarinho cantar. Era bonito, o som. Mas eu queria dormir e não conseguia.
Enquanto o passarinho cantava e eu me conformava em não dormir, comecei a pensar nos passarinhos que não cantavam e que voaram pra longe. Um ali, para o Nordeste, o outro, Sul, mudos. E eu, que ainda não sei voar nem cantar, fiquei aqui.
O passarinho na janela deve ter sido ouvido por alguma pretendente, pois enquanto em pensava se preferia frio ou calor, ele ficou quietinho. Ou voou também, talvez para alguma outra janela, com outra árvore. E eu, fiquei aqui. Porque passarinho de gaiola primeiro aprende a cantar.

sábado, 9 de agosto de 2014

Quando eu o conheci, lembro-me bem, ele era apenas um cara comum, numa mesa de bar, que havia tomado algumas garrafas de cerveja e pretendia tomar mais uma ou outra ainda. Foi engraçado como um cara comum me chamou a atenção apenas com um giro de copo, eu ri, ele se encantou. Ainda acho graça, sorrio e ele ainda se encanta. Mais engraçado ainda perceber como ele pôde se encantar com algo tão natural quanto uma risada, ou mais ainda, como eu pude rir de alguém girando um copo numa mesa de bar. É que quando eu ri e os olhos dele brilharam, foi que vi que ele não era apenas um cara comum. Não direi que é um príncipe encantado, nem listarei seus defeitos e qualidades. Direi apenas que me enganei e que o que parecia comum, hoje me é fundamental. A graça é nunca perder a graça de ver um copo girar e um olhar brilhar.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ela ligou para contar que havia sonhado com ele. - Deu saudade, sonhei e liguei. - Esperou só até o terceiro toque, onde sempre desistia, com as mãos suando, as pernas bambas e o coração disparado.
O sonho, lindo, mas a trouxe para a realidade, fez sentir saudade e agir num impulso e querer ligar.
Sabia que não podia fazer isso sempre que quisesse, ele também tem sua vida e nem sempre uma ligação inesperada pode ser uma boa surpresa.
Puxou uma cadeira até a varanda, se sentou e olhou para o céu cheio de nuvens - Pode ser que chova aqui.-
Respirou fundo e decidiu mandar uma mensagem e contar sobre o sonho, sobre o abraço que tanto quer que se torne real, e as lágrimas, que começaram a cair durante o sonho e continuaram depois de acordar possam ser de felicidade ao invés de saudade.


Sonhei contigo outra vez. Tu tinha voltado e fui te ver. Nos abraçamos e eu senti como se fosse de verdade.
Quando estiver aqui, não me negue esse abraço.

Enviou e fechou os olhos, encostou a cabeça na parede atrás dela e desejou que ele entendesse aquele pedido.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Você é uma música, uma frase, um livro. Você é uma rua, uma estação de trem, um ônibus, uma ponte, um bar, uma padaria. Você é um dia de calor. Você é um baile da terceira idade no meio do shopping, uma cerveja, uma bebedeira. Você é uma gargalhada, uma voz que marca. Você é uma marca, você deixa marcas. Você é um ombro amigo, um colo que consola, mãos que secam lágrimas, olhos que me leem. Você é uma barba torta, um cabelo (extremamente) enrolado. Você é meu porto seguro, minha fuga do mundo quando tudo está ruim.

Eu sou um toddynho, uma tapioca. Sou milhões de carinhas, sou várias de mim. Sou uma piada ruim, uma risada engraçada. Sou um arco-íris, um luar, uma fada. Sou teimosia, sou insistência. Sou ligação em hora errada, mensagem indevida. Sou carência, carinho, abraço, saudade. Sou um corpo suado, desejo guardado, toque suave e preciso. Sou acertos, erros, decepção e surpresa. Sou quase inteira, o pedacinho que falta está com você. Sou um mundo que criamos para fugir da realidade, mas às vezes, sou justamente aquilo de que tentamos fugir.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Eu o vi passar pela rua, sua mão entrelaçada à dela, os dois sorrindo e não me vendo.
Eu o vi entrar naquela loja e sair com presentes que não eram para mim.
Eu o vi passear no parque, andar de patins, skate e bicicleta. O vi cair, se machucar, levantar e continuar seguindo em frente.
Eu o vi se apaixonar pela mesma garota pela segunda vez e o vi fazendo e concretizando planos junto a ela.
Eu o vi ser promovido no trabalho, mas também o vi largar a faculdade por sonhar demais e esquecer de deixar os pés não chão.
Eu o vi sempre de costas desde a última vez em que mereci um olhar seu.
Eu espero não o ver se perder pelo caminho, não o ver desistir do que acredita e não se deixar abater pelos planos que podem ser frustrados.
Eu o perdi e aceitei sem saber que ainda o veria de tantas formas, mas de certa maneira tão iguais. Eu me tornei telespectadora da vida que ele vive e espero que no final, eu o veja ser aplaudido de pé.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Quis escrever pra você e ensaiei a semana toda para chegar a conclusão de que não importam exatamente as palavras e sim o que queria dizer com elas. Sabe quando dizem que o que vale é a intenção? Essa frase aplica-se exatamente nessa situação.

Eu quis escrever, eu quis falar um pouco de você a cada linha, quis passar para o papel tudo o que sinto e acredito quando se trata de nós. Tentei tirar de mim toda essa saudade e transpor em cada palavra que seria escrita. Não consegui, perdoe-me.

Mas aqui lhe digo que o essencial a ser dito é que amo amar você. Depois disso, nenhuma palavra precisa ser escrita.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Eu não preciso dizer que te amo

Eu me atento a todos os seus sorrisos, a todos os seus olhares. Eu vejo cada gesto seu, te olho todos os dias como se fosse a primeira vez que te vejo na vida.

Eu cuido de você até ficar mais chata que sua mãe, tento te poupar de tudo que me faz mal. Eu te ouço falar besteiras com a mesma atenção que te ouço falar dos seus medos e aflições.

Mas eu também me calo mais do que falo, te poupo tanto que acabo te privando de mim. Erro nisso, tentando acertar naquilo.

Eu não preciso dizer que te amo para que você perceba o quanto gosto de te ter comigo. Eu preciso que além de me olhar, me veja.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Eu jamais me atreveria a pronunciar qualquer palavra que escrevo nem mesmo para mim. Escrever já é como assinar uma carta de confissão, dizer em alto e bom som o que foi escrito, é pedir sentença de morte.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

"Ele, que há muito tempo esqueceu que os olhos não serviam apenas para enxergar, ficou perplexo quando lembrou que eles também exteriorizavam e materializavam sentimentos na forma de lágrimas... Já tinha se esquecido como era aquela sensação, e perplexo e surpreso, as deixou verter enquanto acompanhava as duras linhas que teve que ler. 


Ele, que nunca gostou de tomar decisões, deixou que fosse dela a palavra final."








uma pequena ajuda pra terminar o post aí de baixo :p