Acho que estou me apaixonando pelo desconhecido. A cada dia que eu deveria conhecê-lo mais, descubro pouco sobre ele.
Quem é, de onde veio e porquê, ainda não sei. Tenho só o seu primeiro nome rabiscado na capa de um caderno, junto com um número de telefone que ainda não tive coragem de ligar. Ligar e dizer o quê?
Quando o vejo, resisto contra o primeiro impulso que me vem: beijá-lo. Resisto porque preciso conhecer e saber no que estou me metendo.
Nunca fui de querer ter o que nem sei o que é. O desconhecido normalmente me assusta. Mas olha eu aqui, confessando que todos os dias dou não um, nem dois, mas centenas de passos no escuro, procurando o interruptor para acender de vez essa história.
Mas foi no escuro que o encontrei, enquanto tateava o nada a procura de uma saída. Por isso talvez desconheça tanto da pessoa - que ao meu ver - está comigo nesse breu. Estamos juntos, mas sem encontrarmos um ao outro, entende? Eu o procuro, mas quem é ele? Sinto sua mãe na minha, seu toque delicado sobre minha mão pequenina, mas eu ainda não sei quem é, nem de onde veio e porquê.
Definitivamente, estou me apaixonando pelo desconhecido.

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